Ucrânia e Rússia travam guerra de reposição
Quatro anos após a invasão russa, drones e indústria definem a guerra na Ucrânia. Nenhum lado consegue grandes avanços
No quarto aniversário da invasão russa, soldados ucranianos passaram a tratar o zumbido constante de pequenos motores como parte do ambiente. O som vem de enxames de drones baratos usados para observar e atacar posições inimigas.
Essas pequenas aeronaves se tornaram um instrumento tático central no front, complementando a artilharia e alterando a rotina de combate. Cada unidade carrega pouca carga explosiva, mas a frequência mudou o custo da guerra e o comportamento das tropas.
O conflito entrou no quinto ano sem avanço decisivo. Moscou mantém pressão ao longo de vários setores da linha de frente, porém encontra defesa mais flexível e dispersa do que em 2022.
Unidades ucranianas evitam grandes concentrações e operam em grupos menores, apoiados por sensores e comunicação digital. Isso dificulta grandes cercos e limita ganhos territoriais mesmo após meses de ofensiva russa.
A dinâmica atual é de desgaste contínuo. Nenhum dos lados consegue romper de forma estável as defesas do outro. A produção industrial passou a definir o ritmo do conflito.
Kiev depende de financiamento externo e de fornecimento de munição, enquanto a Rússia converte fábricas civis para confecção de material militar e amplia importações indiretas e cooperação com fornecedores externos, incluindo Irã e Coreia do Norte, para obter componentes e armamentos.
O esforço humano acompanha essa economia de guerra. Há campanhas russas de recrutamento em prisões, regiões pobres e países vizinhos. Promessas de grandes pagamentos, muitas vezes não cumpridas, e perdões penais viraram instrumentos de mobilização.
A Ucrânia também enfrenta escassez de pessoal e debate novas regras de convocação, tema sensível na política interna.
Entrando em seu quinto ano, o conflito remodelou o Estado russo. O gasto militar domina o orçamento, setores civis foram subordinados à defesa e o controle político se tornou mais rígido.
Mesmo assim, a economia continua operando com exportações de energia e adaptação comercial para contornar sanções. O sistema mantém fluxo de receitas suficiente para sustentar operações prolongadas.
No campo de batalha, a tecnologia compensa a escassez de pessoal dos dois lados das trincheiras. Pequenas equipes com drones conseguem localizar blindados, guiar artilharia e atingir depósitos.
A consequência é um front estático e caro, no qual avanços são medidos em quilômetros por meses. O conflito passa a depender de produção, financiamento externo e reposição constante de soldados.
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Comentários (1)
ISABELLE ALÉSSIO
2026-02-24 11:58:08👀