Rússia lucra bilhões com afrouxamento de sanções ao petróleo
Isenção temporária dos EUA a petróleo retido no mar gerou até US$ 150 milhões por dia para Moscou
O levantamento temporário das sanções ao petróleo russo pelos Estados Unidos, em meio à guerra envolvendo o Irã, abriu espaço para ganhos bilionários por parte de Moscou.
A isenção, que expirou em 11 de abril, havia sido flexibilizada em março pelo governo de Donald Trump, com o objetivo de ampliar a oferta global da commodity.
A medida, porém, foi criticada por integrantes dos dois principais partidos dos Estados Unidos: Democrata e Republicano.
Os parlamentares afirmam que a Rússia apoiou o Irã na guerra e teria se beneficiado com a alta do petróleo.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou em 15 de março que o governo não renovaria a licença especial para o petróleo russo.
Apesar das negativas oficiais, analistas consideram evidente que houve ganho financeiro.
A autorização temporária permitiu a venda de cargas de petróleo russo previamente retidas no mar, liberando um volume estimado de 145 milhões de barris.
No período de um mês, estima-se que aproximadamente 145 milhões de barris de petróleo estavam flutuando.
Timothy Ash, pesquisador associado da Chatham House, afirmou que a Rússia conseguiu escoar uma parcela relevante desse estoque antes da intensificação do conflito.
Estimativas de senadores democratas indicam que Moscou obteve cerca de US$ 150 milhões adicionais por dia, acumulando mais de US$ 4 bilhões ao fim do período de isenção.
Estreito de Ormuz
Na segunda, 13, as Forças Armadas dos EUA detalharam as regras do bloqueio naval no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo.
De acordo com o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), qualquer embarcação que tente entrar ou sair de águas iranianas sem autorização pode ser interceptada, desviada ou capturada pelas forças navais destacadas na região.
O comando afirmou, no entanto, que o trânsito neutro será mantido para navios com destino a portos não iranianos, desde que utilizem a rota internacional pelo estreito.
"A medida será aplicada de forma imparcial a embarcações de qualquer nacionalidade que operem em portos ou áreas costeiras do Irã”, informou.
O CENTCOM também destacou que remessas humanitárias, como alimentos e medicamentos, estão autorizadas, embora sujeitas a inspeção.
“Todas as embarcações devem se comunicar com as forças navais dos EUA ao navegar no Golfo de Omã e ao se aproximar do Estreito de Ormuz, utilizando o canal internacional de rádio”, acrescentou.
As restrições já provocaram impactos imediatos no tráfego marítimo internacional.
Pelo menos dois petroleiros alteraram suas rotas ao se aproximarem da região.
Segundo a Organização Marítima Internacional, cerca de 1.600 embarcações e mais de 20 mil tripulantes permanecem retidos nos dois lados do estreito desde o início do bloqueio.
Leia mais: EUA detalham regras de bloqueio naval no Estreito de Ormuz
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)