Quando Lula reclamava da caixa-preta do Judiciário
"Muitas vezes, uns são mais iguais que os outros, e é o que eu chamo de ‘Justiça classista’", disse o presidente em 2003
O presidente Lula (foto) tem evitado falar do escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Com o escândalo afetando diretamente os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, o petista orientou seus ministros a evitarem o assunto.
Dias Toffoli foi indicado por Lula para a vaga no STF.
Alexandre de Moraes personificou a reação da Corte à trama golpista de 2022 e aos atos de 8 de janeiro de 2023, os quais, segundo o ministro, foram liderados por Jair Bolsonaro.
Nas disputas entre o Executivo e o Legislativo, o presidente Lula e membros da esquerda têm recorrido seguidas vezes ao STF, e sempre são atendidos em seus pedidos.
Mas já houve um tempo em que o presidente Lula tecia críticas ácidas ao Judiciário.
Em 2003, no início de seu primeiro mandato, Lula era favorável a um controle externo do Judiciário, e falava até em "caixa-preta".
“Nós queremos uma segurança pública em que a Justiça seja igual para todos, e não uma Justiça que cuida com mais carinho daquele que tem ‘alguns contos de réis’ em conta bancária. Como dizia Lampião, em 1927: ‘Neste país, quem tiver trinta contos de réis não vai para a cadeia’. Em muitos casos, ainda prevalece exatamente isso", afirmou o presidente.
A frase está em O Livro Vermelho do Lula.
"Muitas vezes, a Justiça não age, enquanto Justiça, no cumprimento da Constituição, que diz que todos são iguais perante a lei. Muitas vezes, uns são mais iguais que os outros, e é o que eu chamo de ‘Justiça classista’. É uma Justiça que favorece uma classe. E é por isso que nós brigamos há tanto tempo, dr. Márcio [Thomaz Bastos], pelo controle externo do Poder Judiciário. Não é interferir na decisão de um juiz, mas é pelo menos saber como funciona a ‘caixa-preta’ do Poder Judiciário, que muitas vezes parece intocável.”
A principal diferença de 2003 para agora é que, quando foi eleito pela primeira vez, Lula ainda não tinha nomeado nenhum ministro do STF.
Agora, dos atuais dez membros da Corte (uma vaga ainda não foi preenchida), sete foram escolhidos por Lula ou por Dilma Rousseff.
Se Jorge Messias for aprovado em uma sabatina do Senado, a conta subirá para 8 dos 11 ministros.
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