Por que Delcy trocou ministro da Defesa ligado a Maduro
Sai Vladimir Padrino López e entra Gustavo González, que estava encarregado das milícias e da guarda presidencial
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez (foto), anunciou na rede social X que trocou o ministro da Defesa.
Sai Vladimir Padrino López e entra Gustavo González.
"Desde que Delcy chegou ao poder, ela vem substituindo ministros que eram de Nicolás Maduro. Isso já era esperado", diz o sociólogo venezuelano José Guillermo Pérez, que vive no Brasil.
"O chavismo sempre foi como uma série de tribos ou grupos de interesse unidos apenas pela ambição pelo poder. São extremamente patrimonialistas. Então, toda pessoa que chega ao poder acomoda aqueles que são leais a ela", afirma Guillermo.
"Padrino sempre foi um peão de Maduro. Em algum momento, ele seria substituído por alguém da confiança de Delcy."
Para o analista militar argentino Andrei Serbin Pont, Padrino tinha um perfil político muito alto e revelou-se um ministro incompetente, o que levou Delcy a substituí-lo.
"Depois da captura de Nicolás Maduro no dia 3 de janeiro por militares americanos, era lógico que Padrino López estava de saída. Na sua função de ministro da Defesa, ele foi uma catástrofe", afirma Andrei Serbin Pont.
Farinha do mesmo saco
O perfil do novo ministro, contudo, não difere muito do antigo.
"Gustavo González López já foi diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) em períodos de muita violência", diz o sociólogo José Guillermo Pérez. "Não acho que ele seja um símbolo de uma mudança estrutural."
O argentino Serbin Pont, presidente da Coordenadoria Regional de Investigações Econômicas e Sociais (Cries), concorda que a mudança será mínima.
"Gustavo López tem vínculos com Diosdado Cabello e esteve no comando de todos os elementos da estrutura de repressão interna do regime. Ele estava na direção do Sebin e da Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM). Também era ele que estava no comando da guarda presidencial, quando Maduro foi capturado. É, portanto, mais uma pessoa que demonstrou ser incompetente em seu cargo", afirma Serbin Pont.
"Gustavo López era ainda quem estava no controle das milícias bolivarianas, as quais tinham prometido defender Maduro e estão ligadas à repressão interna."
Para o cientista político José Vicente Carrasquero, o regime é incapaz de encontrar pessoas diferentes para preencher seus quadros.
"Gustavo González estava ligado ao esquema repressivo e violador de direitos humanos. Isso mostra a incapacidade deles de encontrar pessoas novas. Sempre é alguém que estava em outro cargo e que acaba tendo de ser reciclado", afirma Carraquero.
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