Pessoas jurídicas de Deolane são "típicas de veículos de lavagem"
Influenciadora foi presa por participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC
Presa nesta quinta-feira, 21, por manter ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra (foto) possuía diversas contas jurídicas que, segundo o juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau (SP), exibem características "típicas de veículos de lavagem" de dinheiro.
Na decisão que autorizou a Operação Vérnix, o magistrado afirmou que Deolane Bezerra é identificada como beneficiária de valores oriundos da transportadora Lopes Lemos Transportes Ltda. "recebidos em contexto de 'acerto' e 'fechamento' financeiro, e não como remuneração lícita por serviços advocatícios".
Os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e os afastamentos de sigilo "confirmam movimentações vultosas e incompatíveis com os rendimentos declarados. Suas diversas pessoas jurídicas – formalmente ativas, com sede em imóveis residenciais em localidades do interior paulista, sem qualquer atividade operacional verificável em campo – exibem as características típicas de veículos de lavagem".
Os elementos são "endereços fictícios em imóveis residenciais singelos em municípios do interior paulista (Santo Anastácio e Martinópolis), sem qualquer indicativo de atividade operacional verificada em campo, compartilhando os mesmos endereços com dezenas de outras empresas e o mesmo contador – Eduardo Affonso Rodrigues –, vinculado também às pessoas jurídicas de Everton de Souza".
Everton de Souza, o Player, que também foi preso, é apontado como operador financeiro da organização.
Ainda segundo a decisão, "a ostentação pública e reiterada de padrão de vida elevado, documentada em redes sociais ao longo de anos – viagens internacionais, veículos de luxo (Lamborghini Huracán, McLaren), aeronaves –, segundo a relatório da Polícia Civil, é frontalmente incompatível com as informações fiscais conhecidas e contribui para a conclusão investigativa de que seu patrimônio é, ao menos em parte, produto ou proveito da lavagem de capitais praticada em benefício da organização".
Em sua conta física, Deolane recebeu 1.067.505,00 reais em depósitos fracionados abaixo de 10 mil reais, prática conhecida como smurfing, entre 2018 e 2021.
Os investigadores também apontaram irregularidades em cerca de 50 depósitos feitos a duas empresas de Deolane, no valor total de 716 mil reais.
As transferências foram realizadas por uma empresa que se apresenta como banco de crédito, mas tem um morador da Bahia que recebe em torno de um salário mínimo ao mês como responsável.
Para os investigadores, a falta de identificação desses créditos nas contas de Deolane e de suas empresas apontam para mais um indício de ocultação e/ou dissimulação de recursos do PCC.
A Justiça determinou o bloqueio de 27 milhões de reais em nome de Deolane Bezerra.
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