Pato manco Trump ainda vai grasnar muito
Presidente americano continuará tendo muito poder em política externa e na relação com o governo Lula
As eleições de meio de mandato que acontecem nos Estados Unidos nesta terça, 3, têm algumas consequências bem previsíveis.
A primeira é que Donald Trump será um pato manco.
A expressão é usada para designar presidentes que perdem força, porque não podem mais tentar um novo mandato ou perderam a maioria no Congresso.
Como a aprovação baixa do presidente (32%), é quase certo que o Partido Democrata conseguirá maioria na Câmara dos Deputados, a qual é totalmente renovada a cada dois anos.
Como toda lei precisa ser aprovada tanto pela Câmara quanto pelo Senado, ficará mais difícil para o presidente emplacar qualquer legislação.
É a Câmara também que decide o orçamento. Projetos de Trump, como as operações de deportação em massa ou a expansão de centros de detenção, poderão ter a verba cortada.
E os deputados ainda podem formar comissões para investigar atos do presidente e iniciar um processo de impeachment.
A principal dúvida é sobre como ficará o Senado, que hoje tem maioria republicana (53 republicanos contra 47 democratas).
Um processo de impeachment desgastaria Trump, mas não o tiraria do poder, já que seriam necessários dois terços dos votos, um quórum inviável nesses tempos.
Política externa
Mas uma derrota no Legislativo, em uma ou duas Casas, não calaria de todo o presidente americano, que continuará tendo muito poder, principalmente em política externa.
Ainda que a Câmara tente limitar verbas para aventuras bélicas no exterior ou conter os tarifaços contra outros países, Trump poderá agir por meio de decretos executivos, com as desculpas de "emergência nacional" ou "segurança de Estado".
Como comandante-em-chefe das Forças Armadas, Trump preservará o poder para ordenar deslocamentos militares ou operações militares pontuais, como um novo bombardeio do Irã.
Governo Lula
Nas relações com o governo brasileiro, Trump continuará soberano.
Ele poderá seguir dando apoio à família Bolsonaro e até mesmo incluir o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes novamente na lei Magnitsky.
O tarifaço pode continuar ou não em vigor, a depender de sua vontade.
Ao mesmo tempo, poderá fazer sinalizações positivas ao governo Lula, como já fez anteriormente.
É inegável que, depois das eleições de meio de mandato, Trump vai perder muito de seu poder.
Mas esse poder ainda poderá fazer muito estrago, principalmente no exterior.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)