Os fantasmas golpistas na eleição peruana
Alberto Fujimori, Antauro Humala e Pedro Castillo já tentaram golpes de Estado e seguiram influentes nas eleições do país
O candidato Roberto Sánchez, de esquerda, do partido Juntos pela Mudança, venceu a eleição presidencial na contagem rápida feita pelo Ipsos, e está um pouco atrás de Keiko Fujimori na contagem oficial.
O resultado só será conhecido em algumas semanas.
Mas não importa quem seja o vencedor: o resultado será incerto para a democracia.
Roberto Sánchez prometeu que, se vencer, vai libertar o ex-presidente Pedro Castillo (foto), condenado por tentativa de golpe de Estado em 7 de dezembro de 2022.
Nesse dia, Castillo dissolveu o Congresso e declarou toque de recolher pela televisão.
Também convocou um Congresso para escrever uma nova Constituição.
"Declara-se uma reorganização do sistema de Justiça, do Judiciário, do Ministério Público, da Junta Nacional de Justiça e do Tribunal Constitucional", disse Castillo em 2022.
Leia em Crusoé: Foi golpe! Entenda a ação do presidente peruano Pedro Castillo
Para Sánchez, Castillo é um perseguido político.
Mas a verdade é que, se não tivesse sido detido, Castillo teria dado um golpe de Estado no modelo tradicional.
Só faltou mandar tanques para o Congresso, como fez Alberto Fujimori, em 1992.
A ditadura só acabou em 2000, quando Fujimori renunciou e fugiu para o Japão.
Aliás, Keiko Fujimori prometeu libertar seu pai na eleição de 2021.
Fujimori pai foi condenado a 25 anos de prisão por violação de direitos humanos e corrupção.
Ele morreu em 2024, aos 86 anos.
Etnocacerismo
A eleição deste ano no Peru ainda tem outro golpista envolvido.
É Antauro Humalla, irmão do ex-presidente Ollanta Humala.
Em 2005, Antauro liderou um levantamento armado com 160 reservistas, que ficou conhecido como Andahuaylazo.
Eles queriam a renúncia do presidente Alejandro Toledo, que tinha sido eleito de maneira democrática.
Antauro permaneceu dezessete anos preso, após a aventura militar fracassada.
No domingo, 7, Antauro declarou apoio a Roberto Sánchez. "Nós, os etnocaceristas e nacionalistas, ratificamos nosso apoio leal a Roberto Sánchez", disse em vídeo.
O etnocacerismo é uma mistura de nacionalismo, indigenismo e militarismo, que usa de uma nostalgia dos incas para tentar submeter outros grupos populacionais.
É uma ideologia estranha, que poderia muito bem ser considerada como "etnofascismo" ou "fascismo periférico".
A democracia peruana vai precisar de muita resiliência para sobreviver a toda essa agente.
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