O futuro de Cuba sem Díaz-Canel
Yaxys Cires analisa as manifestações por toda a ilha, as negociações do regime com o governo Trump e caminhos para a transição
A ditadura cubana atravessa a maior crise dos últimos anos.
Os protestos contra a falta de energia elétrica e os graves problemas econômicos tomaram as ruas de Havana e outras cidades pelo décimo‑primeiro dia consecutivo.
A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA fez com que o regime de Miguel Díaz-Canel considerasse uma saída negociada do ditador do poder.
Sem Maduro, Cuba perdeu seu maior aliado econômico, financeiro e político da região.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a "economia está falida" e que o país precisa "de uma pessoa nova no poder".
Há relatos na imprensa internacional de que Raúl Castro, neto do ex-ditador Fidel Castro, estaria liderando as conversas com os Estados Unidos para a saída de Díaz-Canel.
É a família Castro, de fato, quem toma as decisões em Cuba.
Crusoé conversou com Yaxys Cires, diretor de estratégias do Observatório Cubano de Direitos Humanos, sobre as manifestações e uma possível transição no país.
Quem seria um possível substituto após uma eventual queda da ditadura? Esse nome viria de dentro ou de fora de Cuba?
Nossa proposta é um governo de transição que consiga liberar, estabilizar o pais e começar sua redemocratização.
Este é um processo que deve contar com o maior número de cubanos possíveis, com maior número de líderes possíveis, mas aqueles que não tenham participado de violações de direitos humanos contra cubanos.
O senhor acredita que a captura de Nicolás Maduro facilitou a pressão sobre Díaz-Canel?
Evidentemente que, ao cair Maduro, o regime cubano perdeu seu principal aliado econômico, financeiro e político da região.
A isso se soma o golpe político e psicológico que implicou o fato de que os guarda-costas de Maduro — que eram oficiais cubanos — foram derrotados em questão de minutos naquele dia.
O que ocorreu com Maduro evidentemente dá uma grande dose de credibilidade à posição da administração americana sobre sua visão geopolítica, na qual a Cuba totalitária não encontra espaço.
Qual o verdadeiro foco dos protestos recentes? Os apagões ou a exigência do fim do regime?
Eles continuam, especialmente motivados pela situação socioeconômica, em particular pelos apagões.
No entanto, os gritos das pessoas são por liberdade, “abaixo o comunismo”, ou seja, todos relacionados à necessária mudança de sistema em Cuba.
Existem alguma perspectiva de que Díaz-Canel enfrente ações legais nos Estados Unidos?
Não há informações de que Díaz-Canel tem algum processo aberto em um tribunal nos Estados Unidos.
O que algumas informações publicadas indicam é que a sua saída da presidência é algo que não deve ser descartado.
Em Cuba, quem manda é a família Castro, especificamente o neto de Raúl Castro. Pareceria lógico que vários deles tivessem protagonismo no que está acontecendo.
Leia também: Cuba completa dez dias de panelaços e barricadas
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Comentários (1)
ISABELLE ALÉSSIO
2026-03-18 10:08:49👀