O embate entre Renan e Lula
Os dois líderes carismáticos discursaram nas convenções de seus partidos no final de semana
O presidente Lula e o candidato Renan Santos, do partido Missão, participaram no final de semana passado das convenções dos seus partidos em São Paulo.
Os dois são líderes carismáticos, que mantêm uma conexão emocional muito forte com seus apoiadores. Mas os seus discursos não poderiam ser mais distantes.
Bolsa Família X esmola
O presidente Lula prometeu ampliar os programas sociais, como o Bolsa Família. "Eu não quero ser o presidente só do Bolsa Família. Só do Brasil Sorridente. É preciso mais, mais e mais", afirmou o petista.
Renan Santos, por outro lado, se recusa a dar benefícios de graça à população: "Eu não vou dar gás nem celular para ninguém. Eu não vou. Meu governo não é o governo disso. Meu país não é o país disso. Meu país não vai oferecer esmola para ninguém. Vocês vão comprar o seu celular. Vocês vão comprar a sua casa. Vocês vão comprar o seu carro. Vocês vão comprar o seu celular. E ninguém vai roubar nada que é teu, porque nós vamos matar quem roubar".
Combate ao feminicídio X varrer o crime organizado
Ao falar em combater a criminalidade, Lula defende investimentos em educação ou em ações contra o feminicídio. "Nós fizemos o pacto contra o feminicídio. Nós já fizemos mais leis e mais decretos do que em 100 anos. E garantimos às mulheres direitos. Está crescendo o número de denúncias".
Renan Santos, por sua vez, promete um combate frontal contra as facções: "Nós vamos varrer o crime organizado das favelas. E vamos levar emprego e dignidade para as pessoas. Meta: 6 mil menos favelas no Brasil".
Investimento em educação X fábricas de analfabetos
Lula defende que gastos em educação não são "gastos", e sim "investimentos". E promete ampliar ainda mais os valores nos próximos anos.
"A gente vai ter que ser mais ousado, para a gente mudar muita coisa. Por exemplo, na questão da educação. Nós vamos ter que ter muita coragem, porque o Plano Nacional de Educação propõe que, em 10 anos, a gente tenha não sei quantas pessoas formadas. (...) Em dez anos, a gente vai ter que aprovar uma coisa especial para garantir que, em dez anos, a gente resolva o problema da educação neste país, porque, sem educação, a gente não chegará onde a gente tem o direito de chegar", disse o presidente.
Para Renan Santos, a educação não se mede pelo gasto, e sim pela qualidade dos alunos: "A Pátria Educadora não educou. As nossas crianças não estão saindo mais alfabetizadas da escola. Nós estamos formando uma massa de analfabetos funcionais. Não dá 10% o número de brasileiros completamente proficientes na própria língua. Capazes de ler, declamar e escrever um texto minimamente funcional, racional e que faça sentido. (...) Nós vamos alfabetizar as crianças de verdade".
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