Maquiavel e o imponderável na eleição de 2026
Propaganda eleitoral antecipada durante Carnaval traz possibilidade de que o TSE declare inelegibilidade do presidente Lula
O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói no domingo, 15, trouxe um elemento novo para as eleições deste ano: o imponderável.
Até a semana passada, as eleições estavam caminhando para consolidar um cenário em que o presidente Lula disputaria o segundo turno com o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As principais dúvidas estavam principalmente do lado da direita, não da esquerda.
Mas as evidências de que o governo Lula esteve envolvido, inclusive financeiramente, na preparação do desfile adulatório, que poderia se configurar propaganda eleitoral antecipada, colocam em xeque a candidatura à reeleição do presidente.
Se antes era 100% certo que a candidatura de Lula seria apresentada, não há mais certeza sobre isso.
Agora existe a possibilidade de que o presidente seja declarado inelegível.
Faz o L
Em entrevista ao repórter João Pedro Farah, o advogado Arthur Rollo, especialista em direito eleitoral, apontou os indícios que podem complicar Lula.
"Aquele problema do jingle que tem lá no refrão do samba, foi cantado várias vezes com os intérpretes do samba 'fazendo o L' de Lula. Então, isso mostra que a finalidade ali foi política. Aquela comparação entre Lula e Bolsonaro, exaltando as boas qualidades do Lula e ridicularizando o Bolsonaro - vestido de 'Bozo', com tornozeleira eletrônica, preso - isso também é, segundo a jurisprudência do TSE, considerado proibido", disse Rollo.
Maquiavel
A possibilidade de Lula tornar-se inelegível é o imponderável na política.
Em entrevista recente ao Papo Antagonista, o cientista político Rodrigo Prando, colunista de Crusoé, discorreu sobre esse conceito.
"Se uma coisa que me fascina na política é o imponderável. É o que o [Nicolau] Maquiavel chamava lá em O Príncipe de fortuna", afirmou Prando.
"Dizia ele que a conquista do poder se dá quando um político conjuga virtudes que são as qualidades intelectuais — como bravura, honra e capacidade de guerrear — com a fortuna, que é a sorte, o acaso", afirmou.
Pois as cartas foram lançadas.
Agora, caberá à ministra Cármen Lúcia dar ou não seguimento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às denúncias que estão sendo apresentadas sobre campanha eleitoral antecipada.
Em reunião reservada no Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada, Cármen Lúcia declarou incômodo nas conversas com taxistas.
“Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”, disse Cármen na reunião reservada.
Será que Cármen atenderá ao anseio popular de punição aos poderosos que violam as regras?
É esperar para ver.
Assista ao Papo Antagonista com Rodrigo Prando:
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Comentários (1)
Claudia Martim Guadrini
2026-02-17 09:17:48Ótima entrevista!