Mais de 388 milhões de cristãos foram perseguidos em 2025, aponta ONG
Relatório anual da Portas Abertas revela aumento da violência contra fiéis na Síria, África e Ásia
A Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela ONG Portas Abertas, revela que mais de 388 milhões de cristãos foram perseguidos no mundo entre outubro de 2024 e setembro de 2025.
A Síria, após a queda do ditador Bashar Assad, em dezembro de 2024, subiu da 18ª para a 6ª posição no ranking.
Nigéria e Mali, na África, atingiram a pontuação máxima do levantamento.
A Coreia do Norte permanece como o país que mais persegue cristãos no mundo, seguida por Somália, Iêmen e Sudão.
Síria pós-Assad
Embora Assad integrasse a minoria alauíta, seu regime mantinha uma convivência relativamente estável com os cristãos.
A queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, abriu espaço para milícias locais e grupos armados, tornando os cristãos ainda mais vulneráveis a intimidação, extorsão e ataques.
O principal temor dos fiéis segue sendo a perseguição promovida pelo Estado Islâmico (EI) e por células jihadistas.
“O ataque de junho em Damasco, que matou 22 cristãos, destruiu qualquer ilusão de segurança. Essa realidade exige atenção urgente: quando a proteção estatal colapsa e a ideologia extremista ocupa o vazio, minorias religiosas pagam o preço. O mundo não pode virar as costas novamente”, afirma Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas Brasil.
A Constituição interna da Síria estabelece a jurisprudência islâmica como a principal fonte de legislação, e os cristãos são tratados como "aqueles que estão condenados e se desviaram".
Após o atentado contra uma igreja em Damasco, muitos fiéis passaram a evitar manifestações públicas de fé.
América Latina
Segundo a Portas Abertas, o crime organizado no México e na Colômbia tem sido um fator dos principais fatores de risco para os líderes religiosos.
No ranking, México (30), Nicarágua (32) e Colômbia (47) recuaram uma ou duas posição.
Já Cuba passou de 26º lugar em 2025 para o 24º nesta edição.
Nigéria
A Nigéria segue como o país mais letal para cristãos: dos 4.849 mortos no mundo por causa da fé, 3.490 eram nigerianos.
Terroristas do Estado Islâmico (ISIS, na sigla em inglês) e Boko Haram promovem massacres sistemáticos contra comunidades cristãos.
Os ataques são facilitados devido à ineficácia das ações governamentais contra os grupos criminosos.
Segundo Cruz, a pesquisa surge "após relatos de testemunhas oculares dos atacantes gritando ‘Allahu Akbar’ e ‘Vamos destruir todos os cristãos’. Os cristãos dessas regiões sabem que estão sendo alvos por causa de sua fé e nos dizem isso."
A perseguição provocou reação dos Estados Unidos, que realizaram uma ofensiva contra alvos do ISIS no noroeste da Nigéria, em 26 de dezembro.
África
Em países africanos como Burkina Faso, Mali, Congo e Níger, células islâmicas ocupam espaço deixados por juntas militares fracas ou conflitos civis prolongados.
O padrão se repete.
O objetivo declarado é criar "Estados governados pela sharia", a lei islâmica.
Clandestinidade
Além da violência física, muitos cristãos são forçados à clandestinidade.
Na Argélia, todas as igrejas protestantes foram obrigadas a fechar, e autoridades chegaram a bloquear um grupo cristãos no Facebook com 50 mil pessoas.
A mesma dinâmica ocorre na China.
O Partido Comunista Chinês forçou as igrejas domésticas a se fragmentarem.
Com isso, os cristãos passaram a se reunir secretamente em residências particulares.
Violência
O relatório aponta que a morte de cristãos por causa da fé subiu de 4.478 para 4.849.
Os número de fiéis abusados fisicamente passou de 54 mil para 67 casos registrados.
Os casamentos forçados de cristãos com não cristãos subiu e 831 para 1.147.
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