Lula perde mais uma com Michelle Bachelet
Ao retirar apoio para a ONU, presidente chileno José Antonio Kast deixa o petista ainda mais isolado na América Latina
O presidente do Chile, José Antonio Kast, retirou o apoio do país à candidatura de Michelle Bachelet (foto), para o cargo de secretária-geral da ONU.
A candidatura foi apoiada pelo governo Lula no ano passado.
A decisão do chileno é mais uma derrota diplomática para o petista, cada vez mais isolado na América Latina.
Em julho do ano passado, o Brasil não conseguiu emplacar o candidato Fábio Sá e Silva para a Comissão de Direitos Humanos (CIDH) na Organização dos Estados Americanos (OEA).
Sem o apoio do Chile, Bachelet pode seguir como independente. Mas suas chances de passar pelo crivo do Conselho de Segurança são mínimas.
Posse no Chile
Lula desdenhou Kast ao não comparecer à posse do presidente chileno em 11 de março, mesmo sem ter qualquer compromisso relevante na agenda.
Kast, portanto, não tinha qualquer motivo para se dobrar aos desejos do brasileiro.
Aliás, o apoio do Brasil à candidatura de Bachelet pareceu mais uma provocação, porque era sabido que haveria uma mudança no governo do Chile, com a saída de Gabriel Boric, de esquerda.
Lula e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum estavam muito mais querendo marcar posição, do que conseguir de fato uma mudança na ONU.
Mulher
Bachelet não fez nada para merecer esse posto.
O único argumento para que ela assumisse o cargo é que "nunca uma mulher foi secretária-geral da ONU".
Mas esse é um argumento manjado, que não convence ninguém.
Uigures na China
Bachelet teve uma atuação pífia como alta-comissária da ONU para os direitos humanos, cargo que ocupou entre 2018 e 2022.
Ela foi omissa em relação aos campos de trabalho forçado de muçulmanos uigures na China.
Quando a chilena visitou o país asiático, limitou-se a perambular apenas pelos lugares previamente aprovados pela ditadura do Partido Comunista chinês.
Ela não citou a existência dos campos de prisioneiros uigures e não iniciou uma investigação. Também se recusou a falar com grupos de uigures e outras minorias.
Ao falar dos campos de trabalho forçado, em que os chineses sofrem lavagem cerebral e são separados forçadamente de suas famílias, Bachelet ainda usou a expressão do Partido Comunista: "campos de reeducação".
Venezuela
Bachelet também foi fraca em condenar as torturas da ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela.
Em uma das raras vezes em que se manifestou sobre a Venezuela, ela reclamou das sanções americanas, como se os Estados Unidos fossem culpados pela situação.
Acabou levando um pito público do uruguaio Luis Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, OEA.
"Se é para falar do efeito das sanções sobre o povo venezuelano, então a sanção mais forte que o povo venezuelano teve foi a corrupção do sistema madurista e o Alto Comissariado de Direitos Humanos deve se referir a este ponto", disse Almagro.
Quando ainda era alta-comissária de direitos humanos, em 2021, Bachelet usou seu cargo e projeção internacional para apoiar Gabriel Boric, quando ele ainda era candidato à Presidência.
Ela chegou a gravar um vídeo apoiando Boric. Foi política partidária descarada.
Em retribuição, Boric a indicou para a secretaria-geral da ONU.
Não deu certo.
Com a retirada do apoio a Bachelet, Kast bota Lula em seu devido lugar.
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Comentários (1)
Andre Luis dos Santos
2026-03-25 11:22:22Excelente!