Lula faz campanha eleitoral no púlpito da ONU
"Sabemos de alguns abusos dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país", afirmou o presidente
O presidente Lula (foto) discursou nesta terça, 22, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
A apenas doze dias do primeiro turno das eleições presidenciais, o petista buscou desqualificar adversários no pleito, sem citá-los pelo nome.
"No dia 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Eles não apenas vão eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo. Eles vão decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão", disse o presidente.
"Teremos um pleito transparente, competitivo, em que todos os candidatos disputam da mais ampla liberdade de expressão. Sabemos de alguns abusos dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país. Não subestimamos os desafios das redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha", afirmou.
"Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular", afirmou Lula sobre o sistema eleitoral.
"A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano", disse o presidente, retomando a retórica de confrontação indireta com os Estados Unidos.
Antes, Lula buscou fazer uma leitura maniqueísta do mundo, refletindo a disputa eleitoral.
"Somos chamados a optar entre o multilateralismo e o unilateralismo. Democracia ou extremismo. Soberania ou subordinação. Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos. Isso é o que se espera de um estadista", disse Lula, que tem criticado a família Bolsonaro por se mancomunar com o governo de Donald Trump.
Lula criticou interferências externas nas eleições brasileiras.
"Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos", disse Lula, um dia após se encontrar com dois políticos ligados ao Partido Democrata, dois meses antes das eleições legislativas de meio de mandato, as midterms.
Crime organizado
O presidente defendeu o combate ao crime organizado, um dos pontos fracos de seu governo.
"Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime. A Lei Antifacção, que acabamos de aprovar, impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo", afirmou o presidente.
Lula destoou ao falar de combate à corrupção, tema que andava de fora de sua agenda: "Crime organizado e corrupção andam juntos. O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei".
Neoliberalismo digital
O presidente voltou a falar de controlar o ambiente digital.
"Vivemos uma revolução tecnológica sem precedentes, com grandes riscos e oportunidades. Seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação das Big Techs e da inteligência artificial", disse Lula.
"Um punhado de técnico-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital sem regras nem transparências. Estão promovendo uma corrida sem freios éticos à revelia da ONU e do painel científico sobre inteligência artificial", afirmou.
Campanha
O presidente defendeu várias bandeiras de sua campanha.
"A indústria bilionária das bets transforma vício em lucro. Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo milhões de lares", afirmou o presidente, sem citar a taxa de juros.
"É possível colocar os pobres no Orçamento e fazer os ricos pagarem a sua parte", disse, repetindo um de seus mantras.
"Não vamos ceder à pressão de multinacionais, que querem privatizar o nosso pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros e brasileiras", afirmou.
"O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família. No Brasil, esse objetivo passa pelo fim da escala 6X1, para garantir ao trabalhador dois dias livres por semana. Essa mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres", disse.
Lula também falou de "um país livre do feminicídio, onde uma mulher dentro ou fora de casa viva sob ameaça da violência".
Conselho de Segurança da ONU
Lula ainda tocou nos velhos temas ideológicos do PT, como pedir uma reforma do Conselho de Segurança da ONU.
"Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel", afirmou o presidente em seu décimo discurso na Assembleia Geral.
O presidente, contudo, nunca condenou a invasão da Ucrânia, feita pela Rússia, que integra o Conselho de Segurança.
"A guerra é a falência total da política", disse Lula, distorcendo a frase de Clausewitz, segundo quem "a guerra é a continuação da política por outros meios".
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Comentários (1)
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2026-09-22 15:57:38Nunca o crime organizado esteve tão presente no Brasil como nos governos Lula/PT. Corrupção a níveis estratosféricos. Justiça tão fraca, parcial e politizada. Inflação galopante. População super endividada.