Kataguiri quer Moraes na CPMI do INSS para explicar proximidade com Vorcaro
Deputado afirma que mensagens revelam uma "proximidade atípica" entre o dono do Banco Master e o ministro do Supremo
O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) protocolou na quinta-feira, 5, um requerimento de convite ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para ir à CPMI do INSS prestar informações sobre uma "proximidade atípica" entre o magistrado e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
"A presente iniciativa fundamenta-se na necessidade de esclarecer diálogos de extrema gravidade interceptados pela Polícia Federal e tornados públicos em março de 2026. As mensagens revelam uma proximidade atípica entre o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro — alvo central desta CPMI —, e o referido magistrado, envolvendo visitas domiciliares e interações em períodos de feriado", diz Kataguiri, na justificativa do pedido de convite.
O parlamentar cita as mensagens de 19 de abril de 2025, reveladas nesta semana pela imprensa, que mostram Vorcaro informando à sua então noiva - Martha Graeff - "to indo encontrar alexandre moraes aqui perto de casa", referindo-se a um encontro em Campos do Jordão (SP).
Outras mensagens de 29 de abril, pontua o deputado, indicam uma visita do ministro à residência de Vorcaro.
"Durante uma chamada de vídeo entre o empresário e sua noiva, o nome de Alexandre de Moraes é citado como o convidado presente. A noiva questiona: 'Ele gostou da casa amor?', ao que Vorcaro responde: 'Sim / Falou que é bem melhor / E ele adorava o apto'. Tais diálogos sugerem uma frequência de visitas e conhecimento prévio de diferentes propriedades do empresário pelo magistrado", prossegue Kataguiri.
Segundo o congressista, a urgência dos esclarecimentos por parte de Moraes "é acentuada pelo fato de que o Banco Master mantém um contrato de prestação de serviços jurídicos com o escritório da esposa do magistrado, a advogada Viviane Barci de Moraes, com valores estimados em 129 milhões de reais".
Conforme Kataguiri, "a coexistência de uma relação comercial de tal magnitude com relatos de visitas íntimas entre o julgador e o controlador do banco gera a necessidade de transparência perante esta Comissão".
Ele ressalta que a Comissão Parlamentar de Inquérito investiga se o Banco Master utilizou redes de influência para garantir blindagem jurídica ou facilitação de negócios relacionados ao sistema previdenciário e ao INSS.
"O relato de que um Ministro da Suprema Corte frequenta a residência de um dos principais investigados exige uma resposta clara para assegurar a higidez das instituições e a moralidade administrativa".
O requerimento de convite ainda precisa ser votado pela comissão. Por se tratar de convite, Moraes não será obrigado a comparecer à CPMI, em caso de aprovação.
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