Haddad culpa Congresso e varejistas por taxa das blusinhas
Lula já disse que o ex-ministro da Fazenda defendia a alíquota com “convicção”
Candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) culpou o Congresso e o varejo nacional pela "taxa das blusinhas", aplicada sobre compras internacionais de até 50 dólares e extinta pelo governo federal após desgaste político e alta rejeição popular.
Em sabatina na CNN Brasil, Haddad disse que o imposto "não tem nada a ver" com ele.
"O presidente Lula não queria cobrar [a taxa das blusinhas]. Quem introduziu foi o Congresso Nacional. O presidente Lula não queria e ainda falou: 'vou vetar se vocês aprovarem'. A conversa foi, inclusive, com o Arthur Lira. Ele falou: 'Presidente, vai ser por unanimidade. Todos os partidos vão votar a favor dessa medida'", disse.
"Qual o objetivo disso? Não era arrecadatório. Era um pedido do varejo nacional para equilibrar o que vendido numa loja e o que vem de fora. Não tem nada a ver comigo", acrescentou.
A "convicção" de Haddad
O presidente Lula disse, em junho, que Haddad defendia a "taxa das blusinhas" com "convicção".
Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, ele afirmou que o ex-ministro via a medida como uma forma de proteger a indústria nacional diante da pressão de varejistas brasileiros.
“Quando o Haddad fez, ele acreditava realmente que era uma coisa boa. E ele falou comigo com convicção de que era coisa boa para proteger a indústria nacional”, disse.
Recuo após desgaste
Lula afirmou que o governo percebeu a reação negativa da população à medida.
“Nós estávamos mexendo com uma parcela muito grande da sociedade. O rico, quando ele viaja, pode gastar até US$ 2 mil fora e não paga imposto. O que eu digo? Cinquenta do povo incomoda”, disse.
Segundo o presidente, houve “uma pressão muito grande” para derrubar a cobrança.
Pesquisas internas do governo apontaram a taxação como uma das medidas de pior avaliação da atual gestão.
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