Fora, Gonet
Congressistas eleitos da direita precisam incluir o procurador-geral na lista dos alvos prioritários de impeachment
O procurador-geral da República, Paulo Gonet (foto), não tem mais a mínima condição de continuar no cargo mais poderoso do Ministério Público.
Como o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não faz nada, é preciso que os congressistas eleitos da direita incluam o procurador-geral na lista dos alvos de impeachment e avancem com essa iniciativa assim que tomarem posse no ano que vem.
Reportagem da revista Veja desta sexta, 9, afirma que o banqueiro Daniel Vorcaro juntou detalhes de pagamentos de 30 milhões de reais em espécie, pagos por fora, ao Instituto Lula, destinados a financiar um documentário sobre Lula no exterior.
Além disso, Vorcaro também enviou outros valores ao Instituto Lula.
Mas a Procuradoria-Geral da República, comandada por Gonet, entendeu que não era o caso de abrir uma investigação.
De acordo com a Veja, a Procuradoria não levou adiante o caso, "com a justificativa de que não haveria provas da história, tendo em vista que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro vivo".
Vorcaro teria provas de mensagens de telefone, registros das pessoas que retiraram dinheiro vivo e a relação de lugares e rotas usadas por operadores nas entregas de dinheiro.
Mesmo assim, Gonet engavetou tudo.
Uísque e charuto
Ora, Gonet é parte nessa história.
O procurador-geral foi fotografado tomando uísque e fumando charuto com Vorcaro em Londres.
Além disso, ele aparece nas mensagens de Vorcaro para Alexandre de Moraes, no momento em que o banqueiro pedia uma intervenção para não ser preso.
“É importante reforçar com Andrei [Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal] e Paulo [Gonet] pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco. Estou disponivel pra tratar e explicar qq coisa, so nao pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farao algo em breve”, afirmou Vorcaro para Alexandre de Moraes em outubro de 2025.
Obstrução de Justiça
Gonet tem tomado uma série de atitudes para atrapalhar as investigações sobre o banco Master.
Em 22 de dezembro do ano passado, mais precisamente às 14h57, Paulo Gonet apresentou uma petição ao ministro Dias Toffoli solicitando sigilo no grau máximo previsto (nível 4), sem apresentar argumentos.
No dia seguinte, Toffoli estabeleceu o grau máximo de sigilo.
O procurador-geral também pediu a anulação do inquérito que o citava, afirmando que o ministro André Mendonça, relator do caso, não deveria pedir apurações sobre o destinatário das mensagens do ex-banqueiro, sem um pedido do Ministério Público ou da própria PF.
O presidente Lula, obviamente, tem todo interesse que Gonet fique no cargo, ainda mais agora que há indícios de que o Instituto Lula recebeu valores de Vorcaro.
Não há muito o que possa ser feito agora.
Um impeachment de procurador-geral da República só poderá acontecer com outro presidente e uma troca na Presidência do Senado, em fevereiro do ano que vem.
Gonet não pode ficar até o final de seu mandato, que só acaba em dezembro de 2027.
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