Flávio opta pela radicalização
Senador criticou Alexandre de Moraes em evento: "Aqui tem sangue de Bolsonaro"
A disputa interna na pré-campanha de Flávio Bolsonaro já tem um vencedor.
Aqueles do núcleo pragmático, que acompanhavam o senador Rogério Marinho e recomendavam a moderação do pré-candidato, para ampliar a base de eleitores, foram derrotados.
Venceu o grupo dos radicais mais ideológicos, integrado pelos irmãos Bolsonaro, blogueiros no exterior e por alguns parlamentares do bolsonarismo raiz, com forte presença nas redes sociais.
Sangue de Bolsonaro
"Aqui tem sangue de Bolsonaro nesta porra", afirmou Flávio Bolsonaro durante evento rem Vitória, no Espírito Santo, no final de semana.
Em seguida, o senador criticou frontalmente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que proibiu as visitas a Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, por 90 dias.
Até, então, Flávio vinha sendo mais cauteloso ao falar sobre o STF, talvez temendo medidas mais duras contra seu pai.
"Eu perdi as contas de quantas facadas o presidente Bolsonaro já levou. Ontem foi mais uma. Mas quero começar agradecendo a vocês. O Alexandre de Moraes, não é que ele não tenha coração. Ele parece sem alma. Parece uma potestade. Parece o demônio usando uma pessoa para fazer mal aos outros. Rasgando a lei, rasgando a Constituição", disse Flávio.
"É por isso que grande parte do povo brasileiro este ano só vai escolher senadores favoráveis ao impeachment de Alexandre de Moraes. Eu não vou baixar a cabeça. Eu não vou me intimidar. Isso vai me dar ainda mais força, e mais energia."
Segurança
No domingo, 19, Flávio disse que não pretende utilizar a equipe de segurança da Polícia Federal, por medo de infiltrados.
"Não confio no atual chefe da PF. Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha", escreveu em suas redes sociais.
Lula
Contra o presidente Lula, Flávio também elevou o tom.
“Esse é o legado que o governo Lula tá deixando para todos os brasileiros. Imagina viver mais quatro anos nesse clima ruim. Precisamos só matar a cabeça da serpente, que está aqui no Brasil ainda, para a gente voltar a pensar em prosperidade, em liberdade, em segurança”, disse na semana passada.
Estratégia
A retórica mais dura pode ser o resultado de um cálculo de marketing político.
"Para ganhar do Lula, tem que ser bem anti-Lula. Para se destacar, tem que ser mais bolsonarista que o Bolsonaro. O Renan Santos entendeu isso. O brasileiro que não gosta de Lula não gosta de paz e amor", afirma o estrategista eleitoral Roberto Reis, colunista de Crusoé.
"O voto do Lula é o feminino. Flavio até pode tentar convencer esse eleitor, mas cai a cada inconsistência. Por isso, ele está arriscando mudar a linha para um tom mais agressivo."
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