“Fiz o que eu tinha que fazer”, diz Moraes após transferência de Bolsonaro
Fala ocorreu durante cerimônia de colação de grau da 194ª turma da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP)
O ministro do STF Alexandre de Moraes fez, na noite desta quinta-feira, 15, uma referência indireta à transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da cela da Polícia Federal (PF) para a sala de estado maior do 19º Batalhão da Polícia Militar. A unidade é conhecida como “Papudinha”.
Durante cerimônia de colação de grau da 194ª turma da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Moraes afirmou que “fez o que tinha que fazer”. Moraes foi paraninfo da turma.
“Oito discursos para vocês é um absurdo do absurdo. Vocês percebem que ninguém cumpriu os três minutos? Quase que eu tive que tomar algumas medidas. Mas eu me contive hoje, né? Acho que hoje eu já fiz o que eu tinha que fazer”, declarou Moraes, que foi aplaudido pelos alunos.
A falta foi criticada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais. O deputado federal André Fernandes disse que o comportamento dos alunos reafirma a necessidade da direita de ocupar os espaços acadêmicos pelo Brasil.
“Os estudantes que aplaudiram Moraes hoje, serão os futuros advogados, juízes, desembargadores e etc. Olavo [de Carvalho] tem razão, o trabalho de base jamais pode ser menosprezado”, declarou o parlamentar.
A decisão de Moraes determinando a transferência do ex-presidente da República para a Papuda foi repleta de recados do ministro do STF.
Ao destinar um novo espaço para o cumprimento da pena do ex-presidente, com espaço de área total de cerca de 65 m², com quarto, sala, banheiro, cozinha, lavanderia e área externa, além de possibilidade de banho de sol em horário livre, instalação de equipamentos de exercício físico e ampliação do tempo de visitas, o ministro rejeitou as críticas feitas por familiares, aliados políticos e advogados do ex-presidente.
Na decisão, Moraes declarou que Bolsonaro vinha cumprindo pena em situação “absolutamente excepcional e privilegiada” em comparação ao restante do sistema prisional brasileiro.
“Essas condições absolutamente excepcionais e privilegiadas não transformam o cumprimento definitivo da pena de JAIR MESSIAS BOLSONARO, condenado pela liderança da organização criminosa na execução dos gravíssimos crimes praticados contra o Estado Democrático de Direito e suas Instituições, em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias, como erroneamente várias das manifestações anteriormente descritas parecem exigir, ao comparar a Sala de Estado Maior a um ‘cativeiro’, ao apresentar reclamações do ‘tamanho das dependências’, do ‘banho de sol’, do ‘ar-condicionado’, do ‘horário de visitas’, ao se desconfiar da ‘origem da comida’ fornecida pela Polícia Federal, e, ao exigir a troca da ‘televisão por uma SMART TV’, para, inclusive, ‘ter acesso ao YOUTUBE’”, declarou o ministro.
Moraes afirmou que a mudança permitirá atender recomendações médicas, como a realização de sessões de fisioterapia no período noturno, algo que não seria viável na estrutura da Polícia Federal.
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