Ex-petista aponta erros de Lula na rejeição de Messias
Para Jean Paul Prates, o episódio foi "Brasília funcionando como funciona há anos"
Pré-candidato ao Senado pelo PDT, o ex-petista Jean Paul Prates apontou nesta quinta-feira, 30, quais foram os erros do governo Lula (PT) na rejeição pelo Senado do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Para o ex-presidente da Petrobras, o governo tratou a nomeação como um teste de força presidencial, "ignorando sinais claros da Casa".
"Não era sobre Jorge Messias. Ele tem mérito, biografia e qualificação. A rejeição no Senado foi, sobretudo, sobre o momento político: base fragilizada, articulação insuficiente, oposição surfando na pauta anti-Supremo e senadores governistas usando uma indicação ao STF como ativo político para cobrar o Planalto.
O Senado agiu de forma oportunista, mas dentro da regra do jogo. Indicação para o Supremo sempre foi uma decisão política relevante, não apenas uma escolha curricular.
O erro do governo foi tratar uma nomeação que exigia pactuação institucional como teste de força presidencial, ignorando sinais claros da Casa e a construção prévia em torno de Rodrigo Pacheco", escreveu Prates no X.
"Brasília funcionando como funciona há anos"
O ex-petista disse ainda que a rejeição de Messias não foi uma "tragédia institucional", mas "Brasília funcionando como funciona há anos".
"Não vejo o episódio como tragédia institucional ou exceção moral. É Brasília funcionando como funciona há anos, do jeito brasileiro. O problema é que, quando o Planalto entra nesse jogo sem Plano B, sem humildade e sem articulação fina, acaba expondo pessoas qualificadas a derrotas evitáveis.
Agora, acirrar ânimos e alimentar irritações não resolverá nada. O caminho responsável é recompor o diálogo com o Senado, reconhecer a realidade política e recolocar a expectativa institucional no seu devido lugar."
Sabatina de Messias
Messias foi rejeitado por oito votos de diferença, com 42 contrários e 34 favoráveis à indicação.
Antes da votação no plenário, a indicação feita por Lula havia sido aprovada pela CCJ do Senado, por 16 votos a 11.
O placar no colegiado foi concluída após sabatina, em que Messias falou sobre diferentes temas.
Ele disse que o 8 de janeiro de 2023 “foi um dos episódios mais tristes da história recente“. Segundo o parlamentar ainda, os atos daquela data fizeram “muito mal ao país“.
O sabatinado se manifestou contra o aborto, a favor da liberdade de imprensa e até criticou abus do Poder Judiciário. Ao menos dois ministros do governo acompanharam a sabatina presencialmente: José Múcio, da Defesa, e Wellington Dias, do Desenvolvimento Social.
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