Escalada militar de Rússia e China busca dar oxigênio ao Irã
Exercícios com embarcações dos três países no Estreito de Ormuz pode gerar instabilidade na logística petroleira
Sem avanço nas negociações para interromper o programa nuclear do Irã, o presidente americano Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu têm falado sobre a possibilidade de um novo ataque militar ao país persa.
Em junho do ano passado, americanos e israelenses bombardearam as instalações nucleares do Irã ao longo de doze dias.
Esta semana, Irã, Rússia e China iniciaram exercícios militares conjuntos no Estreito de Ormuz, que fica entre países árabes e o Irã.
Unidades navais dos três países devem participar com diversos navios e capacidades operacionais para testar a coordenação, a prontidão tática e os procedimentos de resposta rápida na região.
"O anúncio deste exercício militar trinacional no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 30% do fluxo maritimo de petróleo, é uma tentativa de Rússia e China darem oxigênio ao Irã, que é o principal aliado deles no Oriente Médio", diz o analista Leonardo Coutinho, diretor do Center for a Secure and Free Society, em Washington.
Os exercícios foram batizados de "Cinturão de Segurança Marítima".
Segundo Coutinho, o exercício militar não deveria ser entendido como uma excepcionalidade, uma vez que os três países são aliados de longa data.
"A questão é que as relações são opacas e clandestinas. A China dá suporte aos russos e iranianos para que eles possam driblar sanções. A Rússia compra do Irã os drones que sao usados para atacar a Ucrânia. Os aiatolás, por sua vez, se prestam a ser proxy da China, que fornece a eles os insumos e recursos para a produção de drones", diz Coutinho.
"Essa escalada militar na região aparenta ter dois propósitos: criar um instabilidade na logística petroleira e com isso dar ao Irã algum poder de barganha nas negociações que se darão com os Estados Unidos", afirma.
Assista ao Papo Antagonista com Leonardo Coutinho:
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