Economist endossa Renan e alerta que Brasil "vira as costas" para o futuro
"O país caminha para uma crise previsível, mas a maior parte da elite política está confortável demais com a situação atual para mudar de rumo", afirmou a revista
A Economist afirmou, em matéria publicada em sua edição semanal, que Renan Santos (Missão) é o candidato "cujas ideias melhor se alinham ao momento atual" do Brasil, que, às vésperas do primeiro turno, "vira as costas" para o futuro.
"O candidato cujas ideias melhor se alinham ao momento atual é Renan Santos, um libertário de postura combativa. Ele defende reformas estruturais profundas e cortes de gastos para transformar o Brasil em uma grande potência", publicou a revista.
No entanto, segundo a Economist, nem Renan nem qualquer outro candidato de fora do establishment conseguiu "avançar contra as máquinas políticas rivais de Lula e de Bolsonaro".
"O país caminha para uma crise previsível, mas a maior parte da elite política está confortável demais com a situação atual para mudar de rumo", afirmou.
Lula x Flávio
A matéria classificou como "sombria" a escolha que se apresenta ao brasileiros em 4 de outubro.
"O atual presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lula, enfrenta Flávio Bolsonaro, o filho mais velho de seu antecessor populista de direita, Jair. Lula está prestes a completar 81 anos — a mesma idade que Joe Biden tinha quando desistiu de tentar a reeleição em 2024. Ele é um democrata e tem uma postura sólida em relação ao meio ambiente. Contudo, fez muito pouco para impulsionar o crescimento ou conter os gastos. Não conseguiu promover reformas econômicas, exceto pela simplificação de impostos sobre vendas, e classifica a disciplina fiscal como 'bobagem'. Seu governo caminha para encerrar o mandato com a maior conta de juros da dívida pública em um quarto de século", afirmou.
"O Bolsonaro mais jovem, de apenas 45 anos, nega que os seres humanos estejam causando as mudanças climáticas, questiona a integridade das urnas eletrônicas e insinua que não respeitará o resultado caso Lula vença. Ele já foi investigado por supostas ligações com criminosos violentos, alegações que ele nega. Sua principal proposta é conceder perdão ao pai, que, em setembro de 2025, foi condenado a 27 anos de prisão por tramar um golpe — incluindo um plano para assassinar Lula — após perder a tentativa de reeleição em 2022", continuou.
Para a Economist, nenhum dos dois transmite "credibilidade" para enfrentar a corrupção arraigada e a expansão dos gastos públicos, problemas que a revista aponta como "os dois maiores" do Brasil.
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