Economia e política desgastam gestão Milei
Javier Milei reconhece trimestre difícil, enquanto pesquisa mostra queda de apoio e desgaste político do governo argentino
Javier Milei reconheceu nesta semana que o primeiro trimestre de 2026 foi mais difícil do que o esperado para a economia argentina e pediu paciência diante da perda de ritmo da atividade.
Em declarações recentes, o presidente afirmou que sinais de estabilização começaram a aparecer no fim de março e que abril pode marcar uma mudança, ainda sem indicar quando o crescimento ganharia força de forma consistente.
Milei descreveu os meses recentes como duros, voltou a criticar os jornalistas e admitiu que a recuperação ainda não chegou ao cotidiano da população, pressionada por inflação elevada e perda de renda.
A desaceleração já afeta a popularidade do governo, com queda na aprovação após a adoção de medidas de ajuste e liberalização que tiveram impacto imediato sobre preços e consumo.
Uma pesquisa nacional da consultora Trends, divulgada pelo Clarín, reforça esse quadro ao apontar deterioração dos números políticos nas últimas semanas, em meio a dificuldades econômicas e episódios envolvendo integrantes do governo.
O levantamento, realizado com 2.000 entrevistas entre o fim de março, indica que Milei mantém a liderança em imagem com 42% de avaliação positiva, embora com saldo negativo, enquanto Axel Kicillof e Cristina Kirchner aparecem logo atrás.
Outro dado do levantamento aponta uma virada no cenário eleitoral, com o peronismo e Axel Kicillof à frente de Javier Milei nas projeções para 2027. A deterioração recente também aparece em aliados, como Manuel Adorni, que caiu de 45% de aprovação em janeiro para 30% em março, com rejeição de 64%. Isso indica impacto direto das controvérsias sobre a percepção do eleitorado.
Adorni, o chefe de gabinete de Milei, está com seu nome desgastado depois que veio a público a informação de que levou a sua esposa a Nova York no avião presidencial numa viagem de Estado.
Outra viagem, num jatinho particular e com sua família, para Punta del Este, paga por um amigo jornalista e apresentador de TV, piorou a situação. Também surgiram denúncias sobre a aquisição de imóveis de luxo, cujos valores seriam incompatíveis com o salário de funcionário público de Adorni.
Ainda segundo essa mesma pesquisa, outros nomes ligados ao governo registram desempenho ruim, com Victoria Villarruel, Manuel Adorni e Karina Milei concentrando níveis mais altos de rejeição, o que sugere desgaste mais amplo da base governista.
O quadro atual reúne queda na atividade, perda de renda e desgaste político medido em pesquisas, enquanto o governo aposta em iniciar uma virada tendo como base os sinais ainda iniciais de estabilização vistos no fim de março.
Ao mesmo tempo, a combinação de inflação persistente, recuo na aprovação e piora na imagem de figuras centrais do governo aumenta a pressão sobre a gestão. Milei passa a depender não apenas de melhora econômica, mas de governança e sinais claros no curto prazo para conter a deterioração das expectativas.
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