Deputada do PSOL exonera assessor preso por exploração sexual de menores
Carlos Alberto Lúcio Bittencourt Filho trabalhava no gabinete de Talíria Petrone desde 2019
A deputada reeleita Talíria Petrone (PSOL-RJ, foto) disse ter exonerado de seu gabinete Carlos Alberto Lúcio Bittencourt Filho, preso na quarta-feira, 28, pela Polícia Civil do Rio de Janeiro durante operação deflagrada para desmantelar uma quadrilha acusada de produzir vídeos pornográficos de menores de idade.
O assessor trabalhava com a parlamentar desde 2019 e recebia um salário bruto de 18.290,56 reais.
"Fui surpreendida na manhã de hoje com informações sobre a operação da Polícia Civil decorrente de investigações que seguem em curso sobre exploração sexual. Determinei a exoneração do assessor citado no processo, enquanto aguardamos a elucidação dos fatos.
Minha vida é e sempre foi pautada pela defesa intransigente das mulheres e de seus direitos. Expresso minha total solidariedade à vítima e à sua família. Não compactuamos com qualquer forma de violência, em especial contra meninas e mulheres. Nunca compactuaremos!
As investigações devem ser conduzidas com transparência, rigor e independência, respeitando o devido processo legal e garantindo a apuração dos fatos com base nas provas.
Seguiremos lutando contra toda violência que chega nas mulheres e meninas", escreveu Taliria no Instagram.
Mais um caso
Carlos Alberto Bittencourt não é o único assessor parlamentar de políticos do PSOL a entrar na mira da polícia.
Em julho, Matheus Rodrigues Gonçalves, então assessor do vereador de Niterói Professor Túlio (PSOL), foi preso por suspeita de envolvimento em um caso de estupro coletivo.
Ele é acusado de estuprar uma menor de idade em Icaraí, bairro na Zona Sul do município.
Os policiais encontraram arquivos digitais de conteúdo pornográfico com a imagem da vítima no celular apreendido com o ex-assessor do Professor Túlio.
Após a prisão, o vereador pediu a exoneração do acusado.
Talíria e a castração química de pedófilos
Desde que Carlos Alberto Bittencourt foi preso, voltou a circular nas redes sociais imagens de Talíria Petrone criticando a castração química para condenados por crimes sexuais contra crianças e adolescentes durante sessão da Câmara dos Deputados.
"Essa matéria é uma farsa. Eu sou mãe de uma menina de 4 anos e meio. E ele pergunta: o que eu faria com um estuprador? Até matar. Eu! Mas isso não é política pública. A política pública precisa resolver concretamente o problema da violência sexual contra crianças, que é uma epidemia no Brasil, que é um drama no Brasil. Isso passa, primeiro, seus cínicos e mentirosos, por prevenção. Primeiro, eu quero impedir que as meninas e crianças sejam estupradas — educação sexual nas escolas, prevenção, campanhas — e, depois, a responsabilização do agressor: penas, prisão. Aquele que for castrado vai violentar aquela criança com um pedaço de madeira ou de outras formas, porque tem a relação — peço que me dê mais 30 segundos, Presidente — com o poder. O estupro e a violência sexual têm relação com o poder. E não adianta castrar um homem, porque ele vai seguir sendo um agressor, tendo essa relação com o poder e violentando essas crianças de outra forma. O que está acontecendo aqui é um escândalo, é uma farsa! Vocês não defendem família! Vocês não defendem as crianças! Vocês sucumbem ao populismo penal, que não protege a minha filha, a sua filha e os seus filhos", disse.
A Câmara aprovou a castração química como punição para pedófilos em 12 de dezembro de 2024.
O projeto, no entanto, ficou parado no Senado.
Vale lembrar que a lei que cria o Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais foi sancionada pelo Lula em 2024, mas até hoje, 2 anos depois, o cadastro não saiu do papel porque o Ministério da Justiça não implementou o sistema. https://t.co/ltE27W0eOM
— Felipe Camozzato (@felipecamozzato) October 29, 2026
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