Crusoé nº 416: Gilmarlândia
Decano do STF reage com truculência a tentativa de investigação e seus colegas ameaçam dificultá-las ainda mais. E mais: Como uma democracia iliberal morre
Gilmar Mendes compareceu em fevereiro ao lançamento da pedra fundamental de Nova Aliança do Norte, um projeto de município no Mato Grosso. Localizada entre Diamantino e São José do Rio Claro, a futura cidade fica na região onde nasceu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) mais influente das últimas décadas, o que rendeu ao projeto o apelido de Gilmarlândia.
Um pequeno município parece muito pouco, contudo, para quem detém tanta influência nos rumos de um país inteiro há tanto tempo.
O decano do STF, que se gaba de conversar "com todos os lados" da política brasileira, já admitiu publicamente que guiou os colegas de tribunal a mudar o entendimento que permitia a prisão após condenação em segunda instância, em 2019, após uma "leitura política".
Foi ali, com a soltura de Lula, que começou o desmonte da Operação Lava Jato — e também a crise institucional e de imagem inédita que o STF atravessa atualmente.
Após contribuir para a anulação de inúmeras condenações de réus confessos, Gilmar combate retoricamente até hoje a maior operação contra a corrupção da história do Brasil.
O ministro mais antigo da atual composição do STF bradou contra o "lavajatismo" mais uma vez nesta semana ao protestar contra a tentativa do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) de investigá-lo por interferência nas investigações do caso do Banco Master.
Como de costume, os ministros do STF se esconderam atrás do tribunal para rechaçar críticas e investigações sobre suas condutas, usando a desgastada ameaça de golpe de Estado como escudo para justificar mesmo seus atos mais controversos e suspeitos, diz Rodolfo Borges em "Gilmarlândia", a matéria de capa de Crusoé.
Outros destaques de Crusoé
Na reportagem "Como uma democracia iliberal morre", João Pedro Farah mostra como a derrota de Viktor Orbán na Hungria expôs um erro de cálculo do primeiro-ministro que comandou o país por 16 anos.
As políticas de sufocamento da oposição não previram o surgimento de uma figura dissidente de dentro do próprio sistema: Péter Magyar. A eleição do jovem político rompeu o monopólio da narrativa nacionalista perpetuada por Orbán.
Colunistas
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Nesta edição, escrevem Roberto Reis (A última rodada), Maristela Basso (Quando a defesa vira suspeita), Márcio Coimbra (As armadilhas de Orbán), Clarita Maia (Hezbollah nas redes de lavagem de dinheiro do INSS), Izabela Patriota (A hipocrisia sobre o aborto no Brasil), Rodolfo Canônico (Políticas de Orbán para a família também deveriam cair?), Dennys Xavier (Orgulho de ser brasileiro?), Josias Teófilo (A periferia no centro) e Rodolfo Borges (Precisamos falar sobre Abel).
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