Como Putin influencia a política brasileira
Interferência se dá pela atuação do grupo Nova Resistência, por meio da compra de uma rádio no Rio de Janeiro e do apoio a políticos
A ditadura de Vladimir Putin (na foto, com Lula e Janja) tem influenciado a política e a opinião pública em países da América Latina, construindo programas de longo prazo e de grande alcance social.
No Brasil, essa interferência se dá com a atuação do grupo Nova Resistência, com a compra da rádio Metropolitana 80,5 FM, no Rio de Janeiro, e com apoio a pré-candidatos à Presidência, como o nacionalista Aldo Rebelo, que foi preterido pelo partido Democracia Cristã para dar lugar a Joaquim Barbosa.
Um relatório feito pela Agência Lupa, em aliança com LatamChequea e financiado pela União Europeia, aponta as várias estratégias usadas pela Rússia na região.
Segundo o texto, desde 2022, a ditadura de Putin tem buscado se adaptar à realidade local. "Em vez de importar narrativas pré-fabricadas, a propaganda russa buscou ancorar-se em sensibilidades locais — antiamericanismo, desconfiança em relação a instituições ocidentais, disputas políticas internas e um alto grau de polarização política — para chegar a públicos diferentes e ampliar sua capilaridade e aceitação", diz o texto.
No discurso pró-Rússia, aparecem ainda críticas à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), uma retórica "anticolonial", a crítica ao dólar, a defesa de um mundo multipolar e dos Brics.
Aldo Rebelo
Um dos principais vetores da Rússia em solo brasileiro é o grupo Nova Resistência, que já foi considerado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos como uma organização neofascista.
Segundo o relatório, membros do Nova Resistência impulsionaram a pré-candidatura de Aldo Rebelo nas redes sociais, "por meio da troca de mensagens em tom triunfalista, misturando Rebelo a cenários religiosos, armas, unidade nacional e patriotismo".
Rádio Metropolitana
A compra da Rádio Metropolitana, do Rio, foi feita pela agência estatal Sputnik Brasil, que funciona como um braço de propaganda do Kremlin, ao lado da RT.
"Essa operação envolveu a profissionalização da redação local e é supervisionada por figuras que combinam interesses diplomáticos e comerciais, como Gilberto Ramos, que atua simultaneamente como representante legal do veículo, cônsul honorário e líder da Câmara de Comércio Brasil–Rússia, ilustrando a integração total dos vetores de poder estatal russo", diz o relatório.
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"Camaradas do continente"
Segundo o relatório, o Nova Resistência criou em 29 de maio de 2022 o Comitê Central de Libertação Americana, que seria "uma coalizão transnacional de organizações políticas latino-americanas alinhadas com a ideologia do pensador e estrategista político russo Alexander Dugin".
Com isso, o Nova Resistência se tornou "um 'hub' ou vanguarda regional para a exportação e articulação da influência pró-Kremlin na América Latina".
"O objetivo declarado do Comitê é servir como ponto de encontro e coordenação para organizações 'nacionalistas e revolucionárias' de todo o continente que compartilham a ideologia duginista. A meta é construir a 'integração continental na prática' sob uma ótica antiliberal e multipolar, em oposição à hegemonia dos Estados Unidos e ao liberalismo global", diz o texto.
Entre os países que também sofrem influência russa estão Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, México e Peru.
Na Argentina, os russos buscaram minar a imagem do presidente Javier Milei e gerar conflitos entre o país e o Chile.
Na Bolívia, apoiaram Luis Arce e Evo Morales.
Agência de contrachecagem
Outro instrumento criado por Putin na região foi uma suposta agência de checagem, a Global Fact-Checking Network (GFCN), que "simula ser uma agência de verificação de fatos para legitimar narrativas russas e atacar críticos sob uma fachada de jornalismo independente".
Entre os seus integrantes estão Raphael Machado e Lucas Leiroz, do grupo Nova Resistência.
"Leiroz já foi identificado como um ator-chave em campanhas de interferência eleitoral na Moldávia, enquanto Machado é membro da Paladins International Sovereigntist League, grupo que a imprensa internacional descreve como de extrema direita", diz o relatório.
Após reportagens feitas sobre a GFCN, a Agência Lupa e sua fundadora se tornaram alvo de ataques de Raphael Machado.
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Comentários (1)
Andre Luis dos Santos
2026-06-11 22:53:04E não há órgãos reguladores pra coibir isso? Cancelar a concessão dessa radio? E claro que com esse "governo" e ParTido de MERDA no poder, um bando de viuvas da FALIDA União Soviética, que vivem desse antiamericanismo idiota, essas coisas vão continuar acontecendo. Essa eleição vai ser decisiva e, infelizmente, esses VAGABUNDOS vão fazer o diabo pra ficar no poder.