Como Erika Hilton pode travar luta pelos direitos das mulheres na Câmara
Há projetos de lei encaminhados na Câmara que são contrários ao que defende a parlamentar do PSOL
A nomeação da deputada transexual Erika Hilton (PSOL-SP, foto) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres da Câmara dos Deputados pode travar projetos de leis encaminhados na Casa para assegurar os direitos das mulheres.
O alerta foi feito por Celina Lazzari, diretora da Associação Matria, uma entidade que atua na defesa dos direitos das mulheres, das mães e das crianças.
A Crusoé, ela citou projetos encaminhados para impedir a eliminação de espaços separados por sexo, como banheiros, alas hospitalares, casas de acolhimento e vestiários, que são contrários ao que defende a parlamentar do PSOL.
"Como existe uma luta para eliminar esses espaços separados por sexo e transformá-los em unissex, esse tipo de projeto de lei que vem para tentar assegurar que isso permaneça como está, evidentemente, eles serão rejeitados ou descartados na presidência da Comissão da Mulher com Erika Hilton", afirmou.
"Também é importante trazer a questão da violência nos presídios femininos, né? Hoje a gente tem uma preocupação muito grande, inclusive cartas de presas no presídio do Distrito Federal foram reveladas falando do transtorno que está na sua vida, dos assédios, das violências que ocorrem por conta da presença de travestis nos presídios femininos. Isso é uma violação claríssima da Constituição, que está dizendo que os espaços das celas e dos presídios devem ser separados por sexo também", acrescentou, citando outras situações que podem ser constrangedoras para as mulheres.
"E sem falar também da questão dos esportes,nas competições justas, tudo isso são projetos de lei, coisas que passam pela Comissão da Mulher e que provavelmente serão rejeitados ou deturpados. Fora, obviamente, a própria linguagem que nos nomeia e que é essencial pra gente construir políticas públicas também. Obviamente que isso vai ser descaracterizado."
Biologia
Durante a instalação da comissão, Erika Hilton recomendou aos deputados contrários à nomeação dela que vão "discutir isso lá no departamento de biologia".
A diretora da Associação Matria rebateu a parlamentar, dizendo que "só quem não é mulher pode falar uma coisa como essa".
"Quem é Erika Hilton para dizer onde que as mulheres podem estar e onde que é o o fórum adequado para falar de questões referentes às mulheres, né? E isso também revela essa descorporificação das mulheres, como se nós estivéssemos desconectadas do nosso próprio corpo? E isso, evidentemente, convém aos homens, convém aos travestis, convém às pessoas que querem se autodeclarar mulheres", afirmou.
E isso evidentemente que é uma estratégia, né? Esse 'ista', inclusive, é para dar um sentido pejorativo, mas é uma estratégia para permitir justamente que os homens ocupem os espaços das mulheres sem ser questionados.
E aí o que é curioso é porque, veja, a própria atitude e concepção de mulher que Hilton sustenta, ela é alicerçada na misoginia. Porque são atitudes, são comportamentos, são posicionamentos que mostram, na verdade, um profundo desprezo e desrespeito pelas mulheres. Erika Hilton reivindicar-se como mulher só porque aderiu a códigos sociais femininos já é, em si, uma atitude machista, uma visão reducionista e misógina das mulheres, porque está reduzindo mulheres a estereótipos sexistas, tá dizendo que ser mulher é ser feminina, que ser mulher é utilizar cabelo comprido ou performar alguns códigos sociais ditos femininos. Então, é muito inadequado esse tipo de concepção e, Erika Hilton, embora alegue que não tenha nenhuma definição, evidentemente que tem uma definição e é uma definição inerentemente baseada em concepções sexistas."
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