Cafezinho com Moraes foi para falar de Lulinha?
Pedido de investigação sobre o filho do presidente caiu com o ministro do STF André Mendonça
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes atravessou a Praça dos Três Poderes na tarde da quarta, 29, para conversar com o presidente Lula, no Palácio do Planalto.
Moraes abordou Lula ao final de um evento oficial sobre proteção às mulheres, perto das 7 da noite.
A cena foi registrada pelas câmeras de televisão, que mostraram um Moraes tenso.
Os microfones conseguiram captar um convite de Lula ao magistrado: "Vamos tomar um café?".
Nem Moraes, nem Lula, falaram sobre o assunto do cafezinho. Não houve pronunciamento oficial.
Mas não é difícil especular.
Ao longo daquele mesmo dia, um processo importante transcorreu no STF, envolvendo Lulinha, o filho do presidente.
Dias antes, na sexta, 24 de julho, a Polícia Federal solicitou ao Supremo uma investigação sobre Lulinha.
Segundo os policiais, os fatos encontrados sobre Lulinha até agora não têm relação direta com os desvios do INSS.
A suspeita é de tráfico de influência: Lulinha vendia acesso ao governo federal, em troca de pagamento.
Segundo o site Migalhas, o pedido menciona contatos entre investigados e servidores públicos, inclusive integrantes do gabinete presidencial.
Por causa do plantão judiciário, o processo foi remetido ao presidente em exercício da Corte, Alexandre de Moraes.
Moraes enviou um pedido à Procuradoria-Geral da República para avaliar se o novo inquérito teria conexão com a Operação Sem Desconto, que investiga o escândalo do INSS.
A PGR entendeu que um novo inquérito deveria ser aberto, em separado.
Com isso, o novo pedido de investigação foi para sorteio entre os ministros do STF, para ver quem seria o relator.
E a nova investigação caiu com André Mendonça.
Foi uma péssima notícia para o presidente Lula: seu filho será investigado por tráfico de influência no governo em um processo sob a relatoria de Mendonça, que tem seguido critérios técnicos, não se deixa influenciar pela política e ainda tem dado ampla liberdade para a PF.
Na quinta, 30, Mendonça decidiu abrir um inquérito.
Ao correr para o Palácio do Planalto para conversar às pressas com Lula, Moraes não foi tratar de temas institucionais.
Se você assim, teria agendado um encontro formal.
Foi, isso sim, para falar de temas pessoais.
E nada melhor que um cafezinho para esse tipo de assunto.
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