Crusoé
03.07.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Diários

Ainda há limites?

As democracias não sobrevivem apenas porque possuem Constituições ou eleições periódicas. Elas também dependem de limites éticos que orientam a convivência pública

avatar
Maristela Basso
3 minutos de leitura 25.06.2026 14:34 comentários 2
Ainda há limites?
Foto: PL
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

À primeira vista, o discurso de Michelle Bolsonaro pareceu apenas um desabafo. Mas talvez tenha sido algo mais profundo.

Em uma época em que a política parece dissolver todas as fronteiras em nome da conveniência, ela procurou reafirmar uma ideia simples: existem limites que não deveriam ser ultrapassados.

Não se trata apenas da recusa em apertar a mão de alguém que, pouco tempo antes, chamara Jair Bolsonaro de "ladrão de gasolina" e sua família de "ratos". O gesto carregava um significado maior. Era a afirmação de que nem toda reconciliação é moralmente exigível e de que nem todo cálculo político justifica o esquecimento das ofensas, da palavra empenhada ou da própria dignidade.

As democracias não sobrevivem apenas porque possuem Constituições, tribunais ou eleições periódicas. Elas também dependem de fronteiras invisíveis: limites éticos que orientam a convivência pública e conferem sentido às instituições.

Esses limites são como as margens de um rio. Não impedem que a água siga seu curso; apenas lhe dão direção. Quando as margens desaparecem, o rio deixa de ser rio e transforma-se em inundação.

Algo semelhante parece ocorrer na política contemporânea.

As margens foram lentamente sendo erodidas.

Convicções cedem lugar às conveniências; adversários tornam-se aliados sem qualquer explicação pública; insultos são esquecidos conforme as necessidades do momento; princípios convertem-se em ativos negociáveis.

A política continua existindo, mas já não encontra facilmente seus próprios contornos.

Vivemos uma época em que a ética política se tornou, em muitos aspectos, pornográfica. Tudo é exposto, tudo é instrumentalizado, tudo pode ser negociado.

Desaparece o pudor, desaparece o constrangimento e, com eles, desaparece também a distinção entre o aceitável e o inaceitável.

É como uma casa cujas paredes mestras foram silenciosamente retiradas. Do lado de fora, ela continua aparentemente intacta. As portas ainda se abrem, as janelas permanecem no lugar e os moradores seguem entrando e saindo normalmente. Mas basta um leve abalo para revelar que sua estrutura já havia sido comprometida muito antes.

O mesmo acontece com a democracia.

 As instituições podem continuar funcionando enquanto sua arquitetura moral se deteriora.

 O verdadeiro colapso começa muito antes do desmoronamento visível: começa quando desaparece a ideia de que existem condutas que simplesmente não deveriam ser praticadas, ainda que fossem politicamente vantajosas.

Talvez seja essa a principal mensagem daquele discurso.

Não a defesa de um líder ou de um grupo político específico, mas a tentativa de lembrar que a política continua precisando de limites. Sem eles, resta apenas a lógica da conveniência.

No fundo, a questão não é quem apertou ou deixou de apertar uma mão.

A pergunta decisiva é outra: o que acontece com uma democracia quando ela deixa de reconhecer que existem fronteiras morais que nem mesmo a vitória política autoriza atravessar?

Talvez a resposta seja desconfortável.

Quando tudo passa a ser permitido, quando toda palavra pode ser esquecida e toda ofensa pode ser relativizada em nome de um objetivo maior, não é apenas a ética que se perde. É a própria confiança na vida pública.

Uma democracia pode sobreviver a muitas crises, mas dificilmente sobrevive quando já não sabe onde terminam as margens do seu próprio rio.

É disso que Michelle Bolsonaro falava: parece que ainda existem juízes em Berlim.

Edição Semana 427

Vítimas do chavismo

João Pedro Farah Visualizar

A sombra da linha de impedimento

Rodolfo Borges Visualizar

Por que a história não aceita reparações?

Dennys Xavier Visualizar

A revolução silenciosa do Paraguai

Márcio Coimbra Visualizar

A aposta contra a CazéTV e o custo da resistência à inovação

Roberto Ellery Visualizar

O momento de parar

Maristela Basso Visualizar

Mais Lidas

A bancada do 8 de janeiro

A bancada do 8 de janeiro

Visualizar notícia
A fatura chegou para a Rússia

A fatura chegou para a Rússia

Visualizar notícia
Ainda há limites?

Ainda há limites?

Visualizar notícia
EUA impõem sanções a brasileiros e empresas ligadas ao PCC

EUA impõem sanções a brasileiros e empresas ligadas ao PCC

Visualizar notícia
Irã inicia funeral de Ali Khamenei

Irã inicia funeral de Ali Khamenei

Visualizar notícia
Justiça determina penhora de salário de Romário por dívida

Justiça determina penhora de salário de Romário por dívida

Visualizar notícia
Lula inaugura pilar de ponte e túnel sem água

Lula inaugura pilar de ponte e túnel sem água

Visualizar notícia
O primeiro eleitorado pós-Lula

O primeiro eleitorado pós-Lula

Visualizar notícia
Tarcísio repudia campanhas negativas contra adversários políticos

Tarcísio repudia campanhas negativas contra adversários políticos

Visualizar notícia
Um ranking popular dos melhores nomes para liderar a direita

Um ranking popular dos melhores nomes para liderar a direita

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Democracia

Flávio Bolsonaro

Michelle Bolsonaro

< Notícia Anterior

Dirceu dá pitaco em disputa entre Flávio e Michelle

25.06.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

O que está em jogo no Ceará para além de Michelle e Flávio

25.06.2026 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Maristela Basso

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (2)

André Miguel Fegyveres

2026-06-29 21:51:43

Gostei muito deste artigo Maristela, concordo, a vida pública não pode ser um vale tudo. Parece que Michelle tem razão e tenho mais simpatia por ela. Vou votar em Ronaldo Caiado!


Joaquim Duran

2026-06-25 21:48:54

As ofensas, quando dizem a verdade, são mais difíceis de desculpar. Quanto a confiança na vida pública, já não existe.


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (2)

André Miguel Fegyveres

2026-06-29 21:51:43

Gostei muito deste artigo Maristela, concordo, a vida pública não pode ser um vale tudo. Parece que Michelle tem razão e tenho mais simpatia por ela. Vou votar em Ronaldo Caiado!


Joaquim Duran

2026-06-25 21:48:54

As ofensas, quando dizem a verdade, são mais difíceis de desculpar. Quanto a confiança na vida pública, já não existe.



Notícias relacionadas

Irã inicia funeral de Ali Khamenei

Irã inicia funeral de Ali Khamenei

Redação Crusoé
02.07.2026 19:06 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Tarcísio repudia campanhas negativas contra adversários políticos

Tarcísio repudia campanhas negativas contra adversários políticos

Redação Crusoé
02.07.2026 16:24 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
“Eu sinto que ela não quer participar”, diz Valdemar sobre Michelle

“Eu sinto que ela não quer participar”, diz Valdemar sobre Michelle

Redação Crusoé
02.07.2026 15:32 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Lula inaugura pilar de ponte e túnel sem água

Lula inaugura pilar de ponte e túnel sem água

Duda Teixeira
02.07.2026 15:06 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso