A história de Lula, de gole em gole
As bebidas preferidas do presidente e aquelas que marcaram época em sua trajetória política
O advogado Walfrido Warde afirmou em uma mensagem enviada por WhatsApp ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que o presidente Lula (foto) agradeceu o envio de um uísque.
O diálogo ocorreu em 22 de janeiro de 2024, semanas após Lula e Vorcaro realizarem uma reunião fora da agenda oficial no Palácio do Planalto.
“Querido, estive com o PR hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o uísque e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente”, escreveu Warde para Vorcaro.
Vorcaro era um apreciador do uísque Macallan, mas não há informações disponíveis para saber se Lula recebeu mesmo uma garrafa e qual seria sua marca.
Questão de Estado
O fraco que Lula tem pela bebida, contudo, é bem conhecido e já virou questão de Estado.
Em 2004, o governo brasileiro cancelou o visto do jornalista americano Larry Rohter, correspondente do New York Times, após o jornal sugerir que Lula abusava de bebidas alcoólicas.
Na reportagem com o título "Hábito de beber do líder brasileiro torna-se preocupação nacional", Rohter comparou o hábito de "tomar bebidas fortes" de Lula, como cerveja, uísque e cachaça, ao do ex-presidente Jânio Quadros (1917-1991).
Cachaça
Quando fala de sua bebida do coração, Lula normalmente se refere à cachaça ou "cachacinha".
O hábito se aprofundou ainda nos tempos do sindicato.
“Olha, se você tivesse colocado aqui uma garrafa de [pinga] 51, eu tomaria o dobro desse uísque. Bebo o que tiver, né, mas na minha sala do sindicato a gente abre é garrafa de 51”, disse Lula em entrevista para o Pasquim, em 1978.
Em 2016, depois de dois mandatos presidenciais, Lula chegou a fazer uma comparação entre cachaça e política.
“Política é como uma boa cachaça. Você toma a primeira dose e não tem como parar mais. Só quando termina a garrafa”, afirmou, em entrevista para a rádio Jornal de Pernambuco.
Cointreau
Quando Lula descobriu o licor Cointreau, durante um jantar oferecido por jornalistas da TV Manchete, ele se encantou.
"Olha, o dinheiro não é meu, certo? Eu entro em qualquer lugar. Aí passamos nessa boate aí, do Gallery. Fomos lá, um negócio muito sofisticado, eu acredito que nunca um peão vai poder botar os pés ali. Não entendia nem o nome da comida, o cara pediu uma comida lá gostosa, eu comigo, gostosa mesmo. Tomei um Cointreau, acho que era Cointreau, né? (...) Eu sei que tomei uns três copinhos, um atrás do outro”, disse Lula em entrevista para a revista Especial, em 1980.
Romanée Conti
Na campanha para presidente de 2002, Lula foi criticado porque estaria evoluindo seus gostos etílicos, o que poderia denotar certo esnobismo social.
Em um jantar, o marqueteiro Duda Mendonça presenteou o petista com uma garrafa de vinho Romanée-Conti, safra de 1997, cujo preço naquela época era de 6 mil reais.
A garrafa vazia depois foi exposta no restaurante e virou tema no final da campanha.
Em 2022, duas décadas depois, uma garrafa de vinho Pêra-Manca foi encontrada no lixo da casa de Lula no Alto de Pinheiros, em São Paulo, antes de seu casamento com Janja.
Cada garrafa custa 5 mil reais.
Cerveja
Mas o vinho não é dos preferidos de Lula.
O petista menciona frequentemente a cerveja, que para agradar o seu paladar deve vir sempre gelada.
"Nós vamos voltar a comer picanha, aquela parte com gordurazinha passada na farinha, tomar cervejinha gelada, é tudo que o povo quer", prometeu ele em 2022, em uma de suas frases célebres.
Em entrevista no Palácio do Alvorada este ano, Lula reclamou das dimensões do imóvel e da cerveja quente.
"São oito quartos ao todo, mas é distante um do outro. A cozinha fica numa ponta, o quarto fica na outra. Se você tiver que pedir café, o café chega frio. Se você pedir uma cerveja, ela chega quente", disse o presidente.
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Comentários (1)
Joaquim Duran
2026-09-23 20:29:04Etanol pra ele.